Sucessão empresarial e heranças
0 encontro do grupo de estudos de Constelações Empresariais, coordenado por Almir Nahas, abordou o tema “Herança e Sucessão”, com apresentação inicial do Dr. Wagner Abrantes, médico homeopata, cirurgião pediátrico e empreendedor em transição para a constelação organizacional.
Wagner destacou que a sucessão empresarial envolve a interseção de dois sistemas: o familiar e o organizacional. Segundo a visão sistêmica inspirada em Bert Hellinger, o sucesso dessa transição depende do respeito às leis de ambos os sistemas. Ele ressaltou três princípios fundamentais:
- Precedência: o fundador ocupa o primeiro lugar;
- Reconhecimento: quem veio antes deve ser honrado;
- Bênção do fundador: o sucessor precisa receber simbólica e energeticamente a autorização para assumir, o que legitima sua liderança perante o sistema.
Almir complementou com reflexões práticas baseadas em sua experiência. Ele enfatizou que um dos maiores desafios na sucessão é equilibrar os interesses da família com as necessidades reais da empresa. Muitas vezes, decisões tomadas com base no “sentimento de justiça familiar” — como dividir igualmente o controle entre todos os filhos — geram conflitos operacionais, pois nem todos têm o mesmo mérito ou vocação para liderar o negócio.
Foram discutidos diferentes cenários de sucessão:
- Sucessão familiar, onde dinâmicas emocionais e lealdades inconscientes podem bloquear o processo;
- Transição para gestão profissional, que exige clareza contratual e maturidade dos sócios;
- Fusões e aquisições, nas quais a integração cultural entre empresas é crítica.
Participantes compartilharam experiências reais. Rodrigo relatou um caso recente de luto súbito — um herdeiro de 45 anos faleceu, deixando filhos pequenos —, ilustrando a imprevisibilidade do destino e a necessidade de coragem para enfrentar transições não planejadas.
Também se discutiu o papel do conselho de administração como estrutura de governança que pode suavizar a sucessão, distribuindo responsabilidades e evitando sobrecarga em um único sucessor. A criação de conselhos foi vista como uma forma de humanizar a gestão, especialmente em empresas familiares.
Por fim, Almir reforçou que a constelação não impõe soluções, mas torna consciente o que estava oculto, permitindo decisões mais claras e alinhadas à vida. O encontro encerrou com a convicção de que herança e sucessão são movimentos de pertencimento, gratidão e coragem, nos quais o novo honra o antigo, garantindo continuidade com vitalidade.
Metas: amigas ou inimigas do sucesso
No dia 16 de dezembro de 2025, foi realizado um encontro do grupo de estudos de educação continuada em Constelações Empresariais, marcando o centenário de nascimento de Bert Hellinger, fundador da abordagem sistêmica. O evento, conduzido por Almir e com apresentação da terapeuta integrativa Simone Potter, teve como tema central: “Metas: amigas ou inimigas do sucesso?”
A abertura homenageou Hellinger, reconhecendo sua coragem, profundidade e legado na compreensão dos sistemas humanos. Participantes como Patrícia, Sueli, Wagner e Magno compartilharam reflexões sobre gratidão, lealdades ocultas e o impacto transformador do trabalho sistêmico em suas vidas e práticas profissionais.
Simone destacou que o sucesso tem a face da mãe, frase clássica de Hellinger, e ressaltou a importância das raízes sistêmicas no alcance de metas. Citando trechos do livro Leis Sistêmicas e Assessoria Empresarial, ela afirmou que sem conexão com o passado — as raízes —, as metas podem se tornar inimigas, levando ao fracasso, adoecimento ou frustração. Por outro lado, quando ancoradas na força ancestral e no “sim” à própria história, as metas se tornam aliadas.
Ela apresentou a metodologia “Meta ao Cubo (M³)”, que propõe três níveis: mínima, média e máxima. Essa abordagem reduz a pressão por perfeição, aumenta a adesão e permite celebração mesmo nos pequenos avanços. Exemplos práticos incluíram metas de atividade física e vendas empresariais.
Almir complementou com o conceito de lealdades ocultas: muitas vezes, o fracasso em atingir metas está ligado a dinâmicas inconscientes de fidelidade a destinos familiares não resolvidos. Ele também trouxe a pergunta provocadora: “Quanto sucesso você suporta?”, convidando à autoconsciência sobre limites internos.
Relatos poderosos ilustraram os ensinamentos. Sueli compartilhou como, ao assumir uma meta ousada, confrontou crenças limitantes e ouviu: “Você está preparada para receber muito dinheiro?” — ecoando a reflexão de Almir. Magno, empresário, contou que, ao mudar seu foco de faturamento para formação de pessoas, o crescimento financeiro veio naturalmente. Wagner, médico homeopata, descreveu como uma constelação o levou a abandonar o cinismo e redescobrir seu propósito.
O grupo convergiu para a ideia de que metas só são sustentáveis quando alinhadas ao sistema, ao propósito e à realidade concreta — nem modestas demais, nem irreais. A humildade sistêmica, o respeito às ordens do amor e a clareza de intenção foram apontadas como pilares.
O encontro encerrou com uma dinâmica guiada por Simone, convidando os participantes a visualizar seu sucesso, posicionar uma meta e reconhecer recursos e desafios. Em clima de gratidão, o grupo celebrou o legado de Hellinger e reafirmou seu compromisso com uma prática ética, profunda e humanizada.
Com duração de 90 minutos, o encontro uniu teoria, vivência e partilha, reforçando que o verdadeiro sucesso é coletivo, enraizado e consciente.
Lealdade ao fundador: até quando se justifica?
O tema central deste encontro foi: “Até onde deve ir a lealdade ao fundador de uma empresa?”. A discussão, mediada pelo professor Almir e com apresentação inicial da empresária Daiana Góes, explorou profundamente o papel do fundador como a “alma” e a “raiz” da organização, mas também os limites saudáveis dessa lealdade para que ela não se torne um obstáculo ao progresso.
Daiana destacou que o fundador é a figura primordial no sistema empresarial, aquele que trouxe a ideia, o propósito e o investimento inicial. Ele ocupa o topo da hierarquia sistêmica por ter chegado primeiro, e sua importância é fundamental para a identidade e a força da empresa. Honrar o fundador — através de símbolos, reconhecimento público ou narrativas — é essencial para manter a coesão e o respeito pelo pertencimento. No entanto, essa lealdade só é válida enquanto o propósito original estiver vivo e voltado para servir à vida, e não para alimentar o ego do fundador. Se os sucessores não seguirem esse propósito vital, a força da empresa pode se esvair, levando até mesmo ao seu fim, pois toda empresa tem um ciclo de começo, meio e fim.
O professor Almir complementou a discussão com uma visão mais ampla, citando Bert Hellinger: “quando o passado é honrado na justa medida, ele serve ao futuro de bom grado”. O foco principal, segundo ele, não deve ser a lealdade cega ao fundador, mas sim a lealdade à própria empresa e ao seu futuro. O passado precisa ser respeitado, mas o olhar deve estar voltado para frente. Embora o fundador seja crucial, especialmente nas gerações iniciais após a fundação, com o tempo sua presença simbólica pode se transformar, sendo lembrada em livros, sites ou retratos, sem que isso impeça a inovação ou a adaptação às mudanças do mercado.
A conversa abordou com profundidade os riscos das lealdades prejudiciais, conhecidas como “emaranhamentos sistêmicos”. Um exemplo importante foi o caso de uma empresa fundada por quatro sócios, onde um deles, o verdadeiro pivô da criação, foi excluído de forma antiética nos primeiros anos. Esse fundador excluído acabou tirando a própria vida. A empresa prosperou por duas gerações, mas na terceira começou a enfrentar sérias dificuldades inexplicadas. Uma constelação revelou que a exclusão não resolvida estava causando problemas. A solução foi dar um lugar de honra àquele fundador na história da empresa, uma atitude que exigiu uma “deslealdade” aos três fundadores oficiais, mas que representou uma profunda lealdade à empresa como um todo. Isso ilustra que a lealdade ao fundador pode, paradoxalmente, tornar-se perigosa quando impede o reconhecimento de injustiças do passado.
Outro ponto crítico discutido foi a diferença entre honrar o fundador e ficar aprisionado à sua visão. Um caso relatado envolveu um genro que prometeu ao sogro fundador seguir suas diretrizes à risca. Mesmo dez anos após a morte do fundador, essas promessas paralisavam o sucessor, impedindo modernizações necessárias. A constelação mostrou que o próprio fundador “não estava nem aí” com a empresa; ele apenas queria descansar. O verdadeiro ato de gratidão, portanto, era seguir em frente como um “filho adulto”, tomando decisões próprias.
Foi enfatizado que o lucro, embora necessário, não é o propósito final da empresa. O verdadeiro propósito é servir à vida, beneficiando clientes, funcionários, fornecedores e a comunidade. Uma empresa bem-sucedida é parte de um ecossistema saudável. Por fim, a reunião concluiu que a lealdade ao fundador deve permitir a mudança. Adaptar-se ao novo contexto, reinventar o negócio e tomar decisões diferentes são, muitas vezes, as formas mais profundas de honrar o legado, dançando conforme a música do tempo.
Equilíbrio de troca entre patrões e empregados
O evento foi um encontro mensal de educação continuada em constelações empresariais e consultoria sistêmica, coordenado por Almir Nahas, com apresentação dos participantes Cássio (de Brasília) e Wagner (de Franca, SP). O tema central foi o equilíbrio na troca entre empregadores e colaboradores, explorando não apenas a remuneração, mas também aspectos como pertencimento, hierarquia, ética, parceria e espiritualidade no ambiente de trabalho.
Após uma breve introdução sobre a origem do grupo — surgido de um curso de especialização —, Cássio e Wagner conduziram uma constelação online com base em um caso trazido pela participante Patrícia, que relatou dificuldades recorrentes em manter funcionárias em sua casa, padrão também presente na vida de sua mãe. A constelação envolveu representantes para Patrícia, sua mãe, uma funcionária, seu pai, seu marido e um filho, revelando dinâmicas familiares profundas ligadas a autoritarismo, perfeccionismo, exclusão e repetição de papéis.
Durante o exercício, emergiram emoções intensas: raiva, rigidez, sensação de superioridade, falta de escuta e dificuldade de aceitação do passado. Com intervenções sistêmicas — como frases de reconhecimento, entrega e pertencimento —, Patrícia pôde se reconectar com seu lugar adulto, percebendo que poderia estabelecer relações mais humanas e equilibradas com suas funcionárias, sem repetir os padrões maternos.
Outros participantes compartilharam reflexões relevantes. Paula, servidora pública e empreendedora em transição de carreira, destacou a importância de amar o que se faz para poder fazer o que se ama. Marcelo, médico pediatra, relatou uma experiência emocionante em que aplicou os princípios sistêmicos em sua consulta e foi presenteado por uma paciente, simbolizando o valor do cuidado humano além do financeiro.
Ao final, Almir reforçou que, mesmo em contextos corporativos, as raízes dos conflitos muitas vezes são sistêmicas e familiares. O encontro evidenciou como o olhar da constelação permite acessar camadas profundas das relações de trabalho, promovendo cura, responsabilidade e equilíbrio. O formato foi elogiado por integrar teoria, prática e vivência, incentivando a troca entre colegas e a continuidade do aprendizado coletivo.
Questões de liderança
Este encontro abordou o tema liderança sistêmica, com mediação e apresentações de Magno e Sônia, ambos com trajetórias em consultoria, educação e constelação familiar/organizacional. Magno destacou sua experiência com CRM e sua imersão nas constelações desde 2000, enquanto Sônia trouxe sua vivência em desenvolvimento humano e pensamento sistêmico.
O cerne da discussão foi a liderança sistêmica, entendida como uma abordagem humanizada que vai além dos estilos tradicionais (autocrático, democrático etc.) e se baseia nas três ordens sistêmicas de Bert Hellinger:
- Pertencimento – todos têm direito de pertencer ao sistema, inclusive os que saíram ou falharam;
- Hierarquia – respeito à ordem de chegada e aos lugares de cada um (fundadores antes de novos membros, por exemplo);
- Equilíbrio de troca – relações saudáveis exigem dar e receber de forma equilibrada (salário, reconhecimento, crescimento).
Os palestrantes enfatizaram que a liderança sistêmica promove clareza, reduz conflitos e fortalece o sistema como um todo. Magno compartilhou como sua própria empresa se transformou ao aplicar esses princípios: menos clientes, mais lucro, menos estresse. Sônia conectou essas leis à sincronicidade — eventos significativos não são coincidências, mas sinais que nos convidam a um caminho interior de autoconhecimento e expansão da consciência, inspirada na obra de Joseph Jaworski.
Participantes trouxeram reflexões práticas:
- A importância de reconhecer o passado da organização e agradecer a todos que contribuíram;
- O líder não deve reter talentos além do possível, mas liberá-los com gratidão quando o equilíbrio se rompe;
- Liderança não é sinônimo de cargo: pode emergir naturalmente por exemplo, coerência ou sabedoria, mesmo sem autoridade formal;
- Em empresas familiares, as dinâmicas familiares frequentemente se sobrepõem às empresariais, exigindo cuidado para não confundir papéis.
Também se discutiu o equilíbrio entre amizade e liderança: é possível ser amigo dos liderados, desde que os objetivos do sistema e os limites hierárquicos sejam respeitados. Favoritismos e confusão de papéis geram desequilíbrio.
Por fim, reforçou-se que a verdadeira liderança sistêmica exige humildade, presença fenomenológica (observar sem julgar) e coragem para o autoconhecimento. Como disse um participante: “A melhor ajuda é aquela que torna a ajuda desnecessária”. O encontro encerrou com a ideia de que a vida é pedagógica — cada desafio é uma oportunidade de alinhamento com as leis sistêmicas e com o movimento natural da vida.
A questão do preço
O tema central deste encontro é o preço como expressão do equilíbrio no dar e receber, um dos pilares das chamadas leis sistêmicas na abordagem sistêmica. O encontro, mensal e aberto a alunos, ex-alunos, consultores e empresários, tem como objetivo aprofundar a aplicação da constelação organizacional no mundo dos negócios.
Almir Nahas inicia com um convite à presença, propondo um momento de silêncio para que cada participante reflita sobre sua relação com o preço do próprio serviço. Ele destaca que, embora o preço seja um elemento comercial simples, ele carrega carga emocional, simbólica e sistêmica. Muitos profissionais evitam a palavra “preço”, substituindo-a por “investimento” ou “valor”, o que revela um desconforto inconsciente com o ato de cobrar, frequentemente ligado a preconceitos de consciência sobre dinheiro.
A discussão centra-se no equilíbrio entre dar e receber. O preço justo é aquele em que o prestador se sente em paz, como se estivesse disposto a pagar pelo próprio serviço. A subjetividade na precificação é inevitável, influenciada por fatores internos — como autoestima, lealdades familiares e memórias — e externos, como mercado e posicionamento. O facilitador ilustra com exemplos: um copo comum pode valer mais que um copo bonito, dependendo do contexto e da percepção de valor do cliente.
Dois relatos pessoais ilustram o tema. Marcelo, pediatra, compartilha como, ao se reconciliar com sua relação com o dinheiro, foi levado a uma mudança profissional que resultou em maior realização e remuneração. José Maurício, advogado, relata como reconhecer o exemplo de precificação ética e amorosa da própria mãe o libertou de padrões limitantes e o ajudou a se afirmar profissionalmente.
Outras intervenções abordam dificuldades em atrair clientes (como no caso de Nathalie, que quer montar um grupo terapêutico) e a importância de questionar se o foco escolhido está alinhado com o impulso sistêmico. O facilitador sugere que, muitas vezes, o problema não é o preço, mas o alinhamento com a história e a lealdade familiar.
Por fim, são discutidas ferramentas práticas, como o uso de âncoras de solo, para testar emocionalmente diferentes preços e encontrar o valor que traz equilíbrio. O encontro termina com o convite à troca, ao compartilho de experiências e à aplicação da visão sistêmica com simplicidade e profundidade no mundo dos negócios.
Vendas: o patinho feio
O evento trata-se de um encontro virtual promovido por profissionais interessados em constelações organizacionais e consultoria sistêmica, com base nos ensinamentos de Bert Hellinger. O objetivo principal é estudar a aplicação da visão sistêmica na resolução de questões empresariais, especialmente problemas financeiros. Participantes incluem ex-alunos e atuais alunos do curso de especialização em constelações organizacionais, além de convidados como clientes e empresários.
Durante o encontro, Almir Nahas destaca a importância das constelações familiares como base para o trabalho sistêmico nas organizações. Ele enfatiza que as dificuldades financeiras muitas vezes estão relacionadas a preconceitos de consciência, crenças profundas e lealdades ocultas herdadas de gerações anteriores. Esses fatores influenciam inconscientemente a forma como indivíduos e empresas lidam com dinheiro.
Almir discute dois trechos relevantes de textos: um do livro Êxito na Vida, Êxito na Profissão e outro de Leis Sistêmicas na Assessoria Empresarial. Neles, ele aborda a dimensão espiritual do dinheiro e sua relação com valores éticos, ordem e justiça. Segundo Hellinger, o dinheiro “possui uma alma” e reage à forma como foi adquirido e utilizado.
O evento também inclui reflexões sobre casos práticos apresentados pelos participantes. Um dos exemplos destaca uma empresa cujo desempenho financeiro melhorou após reconhecer e honrar simbolicamente a morte de um funcionário, demonstrando como questões emocionais e sistêmicas impactam diretamente os resultados econômicos.
Além disso, são discutidas formas de conduzir constelações organizacionais, destacando a importância de utilizar representantes externos à empresa para maior imparcialidade, embora isso nem sempre seja possível. Também são abordadas perguntas frequentes, como, “como investir sem ter dinheiro”, “medo de escassez” e “dificuldade em se valorizar profissionalmente”, sempre buscando compreender as raízes sistêmicas desses comportamentos.
Ao final do encontro, o grupo reforça a necessidade de uma abordagem fenomenológica — ou seja, observar o sistema sem julgamentos prévios ou fórmulas prontas — permitindo que o campo sistêmico revele soluções únicas e eficazes. Além disso, é anunciado o planejamento de futuros eventos virtuais mensais até o final do ano, bem como a possibilidade de um encontro presencial em 2026, em Porto Alegre, com o objetivo de ampliar a divulgação e aprofundar o estudo das constelações organizacionais aplicadas ao mundo dos negócios.
Problemas financeiros
O evento discutiu problemas financeiros sob a ótica das constelações sistêmicas, metodologia baseada nos ensinamentos de Bert Hellinger. O encontro faz parte de um grupo de estudos mensal que reúne ex-alunos e convidados interessados em aplicar a visão sistêmica fenomenológica em contextos organizacionais.
Foram explorados diversos aspectos relacionados ao tema financeiro:
- A relação entre dinheiro e preconceitos de consciência, destacando como crenças limitantes podem impactar a prosperidade financeira.
- A importância de considerar a origem do capital inicial de uma empresa e seu impacto no sucesso ou fracasso do negócio.
- A dimensão espiritual do dinheiro e sua conexão com as ordens do amor e lealdades familiares/organizacionais.
- A necessidade de evitar pré-julgamentos e soluções prontas ao trabalhar com questões financeiras em constelações.
- A análise de casos específicos, como empresas que enfrentam dificuldades financeiras devido a eventos não resolvidos (exemplo: morte de funcionário).
- Discussões sobre comportamentos financeiros disfuncionais, como gastos excessivos, e suas possíveis raízes sistêmicas.
- A relevância do papel do fundador/criador na saúde financeira das organizações e como isso se perpetua ao longo do tempo.
O evento enfatizou a abordagem fenomenológica e a importância de confiar no campo durante as constelações, evitando classificações rígidas ou receitas prontas para problemas financeiros. Além disso, destacou-se o caráter humilde da ajuda sistêmica, que busca revelar movimentos ocultos sem pretensão de solucionar todos os problemas de uma só vez.
Os participantes contribuíram com perguntas e reflexões práticas, transformando o encontro em um rico espaço de troca de experiências sobre a aplicação dos princípios sistêmicos em questões financeiras empresariais e pessoais.
Como começar uma empresa com apoio da visão sistêmica
O evento “Como começar uma empresa com apoio da visão sistêmica” trata da aplicação de princípios sistêmicos no desenvolvimento e gestão de negócios, destacando a importância de alinhar propósito pessoal, valores e estrutura empresarial. Almir Nahas inicia explicando que o projeto surgiu como uma iniciativa de educação continuada após uma turma de especialização em constelações empresariais e consultoria sistêmica. A ideia é criar um espaço para discutir temas específicos relacionados à visão sistêmica aplicada aos negócios, com encontros mensais e temas pré-definidos.
Um ponto central é a necessidade de separar questões familiares das dinâmicas empresariais, especialmente em empresas familiares ou quando sócios têm vínculos conjugais. Conflitos emocionais ou lealdades invisíveis podem impactar negativamente a gestão do negócio. Um exemplo dado foi de um casal de sócios que, após ajustar papéis e resolver tensões conjugais, conseguiu prosperar com a empresa, mesmo mudando acordos internos. Isso demonstra como respeitar hierarquias e ordens sistêmicas pode blindar o negócio contra crises.
Outro tema relevante é a definição clara de público-alvo e propósito antes de iniciar um empreendimento. Almir menciona exercícios sistêmicos que ajudam a identificar o target, testar marcas e até planejar aspectos operacionais, como a divisão societária. Ele compartilha sua experiência em projetos variados, desde startups até empresas consolidadas, reforçando que negócios sem propósito definido tendem a enfrentar dificuldades. Dinheiro, nesse contexto, é visto como uma expressão de amor quando as ordens sistêmicas são respeitadas.
A discussão avança sobre desafios práticos, como a má relação com dinheiro e pressões por crescimento rápido, que podem desequilibrar o campo empresarial. Um caso apresentado envolve uma propriedade familiar não locada devido a conflitos entre herdeiros, ilustrando como questões não resolvidas impactam resultados financeiros. Além disso, Almir destaca a importância de trazer clareza ao propósito do negócio desde o início, evitando que o empreendedor crie uma empresa apenas para suprir necessidades pessoais, como descanso ou fuga de frustrações.
Experiências práticas também são compartilhadas, como um workshop com 25 empreendedoras iniciantes, onde apenas uma delas tinha conexão clara entre o propósito pessoal e o produto oferecido. Isso evidencia a falta de alinhamento comum em negócios iniciantes e a necessidade de explorar dinâmicas ocultas que afetam o sucesso.
Por fim, o evento enfatiza que a visão sistêmica pode ser aplicada tanto na fase inicial quanto em empresas consolidadas, permitindo identificar interdependências e dinâmicas sutis que influenciam resultados. A chave está em equilibrar relações humanas, propósito e gestão para promover prosperidade e sustentabilidade.
MEI: o que fazer e o que não fazer
O evento discute temas relacionados à gestão e dinâmica de Micro Empresas Individuais (MEIs), com foco nas perspectivas sistêmicas e desafios enfrentados pelos microempreendedores. Almir Nahas inicia destacando a importância de separar os papéis da pessoa física e jurídica, um desafio comum em negócios de pequeno porte. Essa confusão entre vida pessoal e profissional pode gerar dificuldades, especialmente na gestão financeira. Muitos microempreendedores, como uma manicure citada como exemplo, tendem a misturar contas pessoais e empresariais, o que pode comprometer a organização e a sobrevivência do negócio.
Outro ponto central é o conceito de hierarquia: a pessoa física existe antes da empresa, sendo, portanto, “pai ou mãe” do negócio. Reconhecer essa relação é essencial para tomar decisões que impactam a sobrevivência da empresa. A gestão financeira é apontada como um dos pilares fundamentais para o sucesso de uma MEI. Almir sugere que, ao perceber que a empresa é uma entidade distinta, o empreendedor consegue estruturar melhor suas operações e garantir maior clareza nos processos.
O evento também explora questões emocionais subjacentes ao empreendedorismo. Muitos microempresários carregam traumas ou conflitos de origem familiar que influenciam suas decisões e posturas no negócio. Alguns, por exemplo, podem até preparar conscientemente o fracasso de seus empreendimentos como forma de validação de crenças negativas sobre si mesmos ou suas famílias. Para superar esses bloqueios, é necessário observar o sistema como um todo e buscar alinhamento entre propósitos pessoais e objetivos profissionais.
Além disso, Almir destaca a relevância do planejamento estratégico, mesmo em negócios simples. Ele enfatiza que o sucesso depende de três elementos principais: produto, posicionamento e estratégia de venda. Ter clareza sobre o que se oferece, para quem e como esse serviço ou produto será entregue é crucial para o crescimento sustentável. Ferramentas básicas de marketing, como definição de preço, qualidade e distribuição, são igualmente importantes para diferenciar o negócio no mercado.
O evento inclui exemplos práticos, como o caso de uma empresa familiar onde os sócios ajustaram suas funções e passaram a realizar reuniões mensais mais eficientes, o que resultou em prosperidade. Outro exemplo mencionado envolve uma constelação organizacional que ajudou a identificar problemas sistêmicos em um grande evento corporativo, levando ao cancelamento do projeto por falta de alinhamento interno.
Por fim, Almir ressalta a importância de soluções práticas, como coworkings, para microempreendedores que precisam separar melhor suas vidas pessoal e profissional. Ele encerra reforçando que as MEIs, embora simples em sua estrutura, têm um papel fundamental na economia brasileira, movimentando grande parte do mercado. Para prosperar, é essencial que o empreendedor desenvolva maturidade, organize seu negócio e alinhe suas ações com um propósito claro.









